O caso da morte do cão comunitário Orelha, que gerou comoção nacional no início de janeiro, teve novos e graves desdobramentos em Santa Catarina. A Polícia Civil indiciou dois pais e um tio de adolescentes suspeitos de envolvimento no crime por coação de testemunha durante o andamento das investigações.

Segundo a apuração, os familiares teriam tentado intimidar um vigilante, apontado como testemunha-chave do caso, com o objetivo de interferir no curso do inquérito. A coação teria ocorrido após a repercussão do crime, que mobilizou moradores da região e gerou protestos em defesa dos direitos dos animais.

O cão Orelha, conhecido e cuidado por moradores da comunidade, foi encontrado com ferimentos graves e não resistiu às agressões, sendo submetido à eutanásia devido à gravidade do quadro clínico. Quatro adolescentes são investigados por maus-tratos, crime previsto na legislação brasileira.

Durante a investigação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão e reuniu novos elementos que apontam para tentativas de interferência externa no processo. De acordo com os investigadores, a proteção à testemunha foi reforçada diante do risco à sua integridade.

Do grupo de adolescentes suspeitos, dois estavam em viagem ao exterior, previamente agendada, e devem retornar ao país nos próximos dias para prestar esclarecimentos. As apurações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

O caso reacendeu o debate nacional sobre crimes de crueldade contra animais, responsabilização de menores e a atuação de adultos em tentativas de obstrução da Justiça. A Polícia Civil reforça que as investigações continuam sob sigilo parcial até a conclusão do inquérito.

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