Nova pesquisa Real Time Big Data mostra redução da vantagem do senador e consolidação do candidato de Ratinho Junior na briga pelo segundo turno
A disputa pelo governo do Paraná começa a ganhar novos contornos. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira (28) mantém Sergio Moro (PL) na liderança, mas aponta perda de terreno do senador e avanço de Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior.
No cenário estimulado, Moro aparece com 35% das intenções de voto, seguido por Sandro Alex, com 23%, e Requião Filho (PDT), com 20%. Os demais candidatos não alcançam dois dígitos.
O resultado confirma o favoritismo de Moro, mas também acende um sinal de alerta para sua campanha. No levantamento anterior do mesmo instituto, divulgado em 18 de agosto, o senador tinha 37%, enquanto Sandro Alex registrava 22%. Requião Filho já aparecia com 20%.

| Candidato | Pesquisa anterior | Nova pesquisa | Variação |
|---|---|---|---|
| Sergio Moro (PL) | 37% | 35% | -2 pontos |
| Sandro Alex (PSD) | 22% | 23% | +1 ponto |
| Requião Filho (PDT) | 20% | 20% | Estável |
Embora as oscilações isoladas estejam dentro da margem de erro, o movimento político merece atenção. Moro continua na frente, mas sua vantagem sobre Sandro Alex caiu de 15 para 12 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, o candidato governista amplia numericamente a distância para Requião Filho e reforça sua posição na disputa pela segunda vaga.
Moro ainda é favorito, mas enfrenta teto eleitoral
A liderança de Sergio Moro permanece expressiva. O ex-juiz e atual senador entra na campanha com elevado conhecimento público, identificação com o eleitorado conservador e uma trajetória nacional construída durante a Operação Lava Jato.
Essa vantagem, porém, também traz um desafio: Moro já é amplamente conhecido e, por isso, pode ter menos espaço para crescer do que os concorrentes. No levantamento anterior, além de liderar com 37%, ele apresentava 38% de rejeição, índice inferior apenas ao de Requião Filho, com 41%. Sandro Alex tinha rejeição de 29%.
A queda de dois pontos não permite afirmar, estatisticamente, que Moro esteja em declínio consolidado. Pesquisas representam uma fotografia do momento, e oscilações dentro da margem de erro podem decorrer da própria amostragem. Politicamente, contudo, o dado sugere que a campanha do senador precisará trabalhar para impedir que a eleição se transforme em uma disputa entre sua alta exposição nacional e a força da estrutura governista no estado.
Sandro Alex cresce com apoio da máquina estadual
O avanço de Sandro Alex é modesto em termos numéricos, mas relevante no contexto da campanha. Com 23%, o candidato do PSD amplia sua competitividade e se mantém à frente de Requião Filho, ainda que os dois estejam tecnicamente empatados considerando a margem de erro.
Sandro Alex aposta na associação com Ratinho Junior, governador bem avaliado e principal cabo eleitoral da chapa governista. A estratégia é apresentar sua candidatura como continuidade administrativa, explorando entregas do atual governo, presença regional e capilaridade política do PSD nos municípios.
Seu principal obstáculo ainda é o nível de conhecimento entre os eleitores. Enquanto Moro e Requião Filho carregam sobrenomes e trajetórias amplamente reconhecidos, Sandro Alex precisa transformar o apoio de prefeitos, deputados e lideranças locais em identificação direta com o eleitorado.
É justamente aí que está seu potencial de crescimento. Quanto mais a campanha avançar e a ligação com Ratinho Junior for reforçada, maior poderá ser a transferência de votos do governador para seu candidato.
Requião Filho corre risco de perder protagonismo
Requião Filho permanece com 20%, mas vê Sandro Alex ganhar espaço na segunda colocação. O candidato do PDT conserva uma base eleitoral relevante, vinculada sobretudo ao legado político do ex-governador Roberto Requião, mas encontra dificuldades para ampliar seu alcance.
Na pesquisa anterior, Sandro Alex tinha 22% e Requião Filho, 20%. Agora, a distância numérica aumenta para três pontos. Ainda há empate técnico, mas a tendência política favorece o candidato governista, que dispõe de maior estrutura partidária e presença institucional.
Para Requião Filho, o desafio é evitar que a polarização entre Moro e o grupo de Ratinho Junior esvazie sua candidatura. Sua campanha precisa convencer o eleitor de que existe espaço para uma alternativa de oposição que não esteja vinculada nem ao PL nem ao atual governo estadual.
A eleição começa a se dividir em duas disputas
Os números indicam que a corrida pelo Palácio Iguaçu ocorre, neste momento, em dois níveis. No primeiro, Moro tenta preservar a liderança e evitar a redução gradual de sua vantagem. No segundo, Sandro Alex e Requião Filho disputam quem chegará ao provável segundo turno.
A nova rodada não retira de Moro a condição de favorito. O senador mantém uma vantagem de dois dígitos e continua liderando com folga. O que muda é o ambiente da eleição: a vantagem deixou de parecer completamente estática, enquanto Sandro Alex apresenta sinais de crescimento.
Ainda é cedo para falar em virada. A oscilação precisa se repetir em outros levantamentos antes de ser considerada uma tendência. Mas a fotografia desta sexta-feira oferece uma conclusão política clara: Moro continua na frente, porém já não pode tratar a eleição como definida, e Sandro Alex começa a transformar a força do governo Ratinho Junior em competitividade eleitoral.
